07 e 08 de Novembro de 2011
Teatro Arthur Rubinstein, Clube Hebraica
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Notícia

COBERTURA DO SEMINÁRIO – dia 7, manhã

Em comemoração ao 10º aniversário do Instituto Singularidades, começa hoje, dia 7 de novembro, o Seminário Internacional – Inovação e Qualidade da Formação Inicial de Professores. “A intenção é trazer a público uma reflexão importante para a atualidade brasileira: onde, como e com quais estratégias poderão a tornar a carreira docente mais eficaz e atrativa em nosso país”, explica a diretora geral acadêmica Gisela Wajskop.

Após uma sequência de fotos que marcaram a década de trabalho da instituição, a mestre de cerimônias Mona Dorf, jornalista, chama ao palco Gisela Wajskop, Fernando Padula – representando a Secretaria Estadual de Educação –, o secretário de educação da capital paulista Alexandre Schneider e Ana Maria Diniz, presidente do Instituto Península, que mantém o Instituto Singularidades. “Trouxemos educadores do Brasil e do exterior para nos ajudar a responder qual é o modelo de educação que queremos para o Brasil no futuro”, afirma Ana Maria. “No Singularidades, acreditamos que a boa formação do professor está centrada em conteúdos, didática e ampliação de seu universo cultural.”

Gisela aproveitou o evento para apresentar o programa Singularidades Virtual, desenvolvido em parceria com Abril Educação. Trata-se de um ambiente virtual de formação de professores para ajudar universidades públicas e privadas a darem conta da formação de uma nova geração de professores. “Teremos núcleos de ampliação do universo cultural; estágio e pesquisa; metodologia, prática de ensino e procedimentos didáticos; centro de estudos e formação pedagógica; biblioteca – com toda a bibliografia disponível para download e e-commerce; ambiente de aplicação; e tenda cultural”, conta Gisela. “Como acreditamos na figura do professor, o mediador desse trabalho será um docente em nível universitário.”

 

Avaliação e desempenho docente

A primeira mesa de debates foi composta por Lawrence Ingvarson, do Australian Council for Education Research (Austrália), que mostrou como os australianos desenvolveram um sistema nacional para reconhecer e recompensar seus professores. “Foram determinados altos padrões de ensino, que demonstram o que o professor deve ensinar de que maneira, sempre de acordo com o currículo nacional”, conta. Ingvarson acrescenta à discussão que incentivos como bônus ou medalhas surtem pouco efeito no trabalho docente. “Em Nova York e Chicago, é assim e não funciona. O bom mesmo é dar autonomia ao professor, pois ele tem de ver sentido no que faz e também ter reconhecimento.”

O economista e especialista em educação Gustavo Ioshpe também esteve presente na primeira mesa. Ele afirmou que a formação de professores é uma das áreas mais problemáticas no Brasil, com muita teoria e pouca integração com o dia a dia do professor. “Nos países de sucesso educacional, o estágio é entendido como um capítulo fundamental para confrontar a teoria com a realidade e voltar à universidade para corrigir os erros. No Brasil, ele é visto apenas como um requerimento, que envolve mais observação do que mão na massa.”

Quanto à formação continuada, Ioshpe conta o que viu em Xangai (China) recentemente. Duas vezes por semana, um grupo de professores se reúne para trocar informações sobre como ensinar determinado conteúdo. Além disso, a cada quinzena, os profissionais se encontram na região e os melhores expõem suas práticas e assim por diante. “Isso resolve duas questões: dá amparo e sentimento de pertencimento e promove troca de experiências, o que permite implementar o que dá certo em tempo real, sem precisar esperar os resultados de uma avaliação anual.”

 

Considerações dos debatedores

Denise Vaillant, do Observatorio Internacional sobre la Profesión Docente (Espanha) atuou como uma das debatedoras da mesa. Ela diz concordar integralmente com as ideias de Ingvarson, mas admitiu que a realidade australiana tem pouco a ver com o que acontece na América Latina. “Não existem receitas e sim ingredientes de uma boa receita”, pontua. “Tem de haver preparação para que os educadores mostrem o conhecimento dos alunos e consequências para os que não ensinam. Além disso, um sistema de certificação com estrutura apropriada de incentivos e condições adequadas de trabalho para o profissional da educação.”

O professor José Francisco Soares, da Universidade Federal de Minas Gerais, também debatedor trouxe um pouco de seus estudos com base nos dados da Prova Brasil 2007. Ele pesquisou os municípios que estão fazendo diferença no aprendizado dos alunos. “Trabalhei na análise individual dos estudantes, tirando os efeitos dos fatores sociais (raça e nível socioeconômico, por exemplo) e os das características da escola. Calculei a diferença entre o fator observado e o resultado. Cheguei à conclusão de que o recurso não impacta na aprendizagem do aluno”, explica. “Não precisamos de mais recursos, mas temos de fazer outras coisas para impactar a educação.”

Soares acrescenta uma reflexão. “Dado que temos dois milhões de alunos, como formamos os professores temos? Nessa realidade, a aula de Ingvarson chama a atenção para nossa necessidade de mudar”, disse. “O esforço e o estudo da certificação é importante para criar uma nova carreira.” Com isso, a moderadora Maria Helena Guimarães de Castro, do Conselho Estadual de Educação de São Paulo, fecha o debate. “Todos os temas apresentados estão ligados ao direito do aluno aprender”, resume e estimula a participação da plateia.

Guiomar Namo de Mello, que assistia às colocações desse primeiro dia de evento e participará do Seminário como debatedora da mesa Estágio Supervisionado e Residência Pedagógica como Lócus de Formação Docente, amanhã, dia 8 de novembro, levantou uma questão: “Estamos investindo em avaliação de alunos nos últimos cinco ou seis anos e, além disso, há secretaria que pagam bônus a seus professores. Será que devemos continuar investindo nessas práticas depois das colocações de Ingvarson? Será que nenhuma recompensa baseada em desempenho de aluno revolve? Será que não devemos avaliar um pouco mais antes de tomar essa decisão?”

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Seminário Internacional 10 Anos Singularidades

07 e 08 de novembro de 2011

Teatro Arthur Rubinstein, Clube Hebraica

Rua Hungria, 1000 - Jardim Paulistano - São Paulo - SP - Brasil

Teatro Arthur Rubinstein, Clube Hebraica

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